Preservar o que é bom e bonito
Regina Helena de Paiva Ramos(*)
Voltando à reunião em Juquehy sobre o Plano Diretor quero destacar algumas opiniões importantes, sobre a pretendida verticalização do município, prestadas na ocasião por pessoas de quem não guardei os nomes. Uma dessas opiniões foi de uma senhora de Barra do Una que se disse moradora de um loteamento irregular. “Chamam a gente de invasores, mas pagamos IPTU”, ela disse. “E ninguém veio perguntar pra mim se quero morar em predinho. Digo que não quero e ninguém que mora perto de mim quer”. Ela falou também de uma reivindicação importante para as mães que trabalham na Costa Sul: “Precisamos de creches, sim, mas de creches que também funcionem aos sábados e domingos”.
É o óbvio. Essas mães são prestadoras de serviço nas casas dos veranistas ou trabalham em hotéis e pousadas e precisam muito mais de creches nos finais de semana.A região tem particularidades que precisam ser respeitadas pelas autoridades.
Outra opinião significativa foi de uma senhora de Juquehy que referiu ter entendido pouco do que foi dito pelos técnicos da Prefeitura. Pediu que nas próximas vezes fosse utilizada uma linguagem mais simples.
E um senhor – acho que de Barra do Una - proferiu uma frase importante para o turismo da nossa Costa Sul: “Onde o cimento chega o turismo vai embora”.
É por esse motivo que temos lutado, sempre, para que o progresso chegue à Costa Sul de São Sebastião, mas que chegue ordenado, disciplinado, adaptado às circunstâncias e às características locais. Um exemplo disso tem sido dado por Ilhabela, que progrediu sem perder as características de vila rústica – o que não quer dizer que não haja, por lá, hotéis e pousadas de altíssimo nível. Mas o maior exemplo da atualidade é Itacaré, no litoral da Bahia, a bola da vez em matéria de turismo doméstico. Quem vai pra lá volta encantado! O cimento e os prédios ainda estão muito distantes de Itacaré.
Poderíamos também lembrar alguns locais do decantado Caribe. Visitei Bekia, uma ilha paradisíaca e me senti andando pelas ruelas de Ilhabela ou de Boissucanga. E tinha turista por todo o canto! Enormes e luxuosos navios parando ao largo e despejando visitantes. Visitei Dominique, Martinique, St Lúcia, Granada, e diversas outras ilhas/países no Caribe e em todos os lugares vi a preocupação de manter as características naturais, valorizando a natureza belíssima.
Não entendo porque não podemos fazer o mesmo.
Guarujá, Praia Grande, Mongaguá e até nossa vizinha Caraguatatuba, cujo centro deixou de ser uma vila turística para se transformar numa grande (e bela!) cidade estão lotadas de prédios. São cidades bonitas? São. Mas são cidadonas. Eu me lembro que Mongaguá era um paraíso, com a serra chegando pertinho da areia e um rio limpíssimo desaguando no mar. E agora? Ao que me conste o rio está poluído e quase não se vê mais a serra, tapada pelos prédios.
Bom. O certo é que cada vez mais se coleciona opiniões contra os “predinhos” nas ZEIS. Que podem dar a partida para verticalização em todo canto. E não somos só nós, os veranistas, que de um tempo pra cá somos culpados de todas as mazelas do litoral. Também quem mora nos núcleos irregulares se manifesta contrariamente.
(*) Regina Helena de Paiva Ramos é jornalista e escritora
Imprensa Livre – agosto/2006
Verticalização pelos fundos?
Como se sabe, em todo o litoral apenas em São Sebastião e Ilhabela o zoneamento proíbe a verticalização das construções. Os imóveis podem ter no máximo três andares, ou 9 metros, incluindo a caixa d'água. Entra prefeito, sai prefeito, renovam-se as investidas para derrubar as limitações.
Os pretextos são dos mais engenhosos. Nenhum deles fala, é claro, que se trata de ganhar dinheiro rápido com especulação imobiliária. No país do Carnaval e dos sanguessugas tudo é permitido desde que convenientemente fantasiado pelo manto diáfano do interesse social.
No inicio do ano a verticalização veio embrulhada no projeto que cria as Zonas de Especial Interesse Social, enviado à Câmara Municipal em Fevereiro pelo Prefeito . Como se sabe, a grita foi tão grande que o projeto não conseguiu os votos necessários para sua aprovação. Embora as reuniões para a promoção das ZEIS continuem e o Prefeito jamais deixe de menciona-las sempre que fala em reuniões publicas, o assunto ZEIS por enquanto está queimado.
Mas os interessados nas várias formas de cimentar o litoral não desistem. Afinal, há muito dinheiro em jogo. A verticalização volta à carga, desta vez embutida na Lei de Uso e Ocupação do Solo, cujo ante-projeto e respectivo mapa de zoneamento para todo o Município de São Sebastião foi tornado publico em recente audiência no bairro Canto do Mar.
E é por lá mesmo, pela Costa Norte que vamos começar a analisá-lo.
No Jaraguá é criada uma extensa zona que atende pelo nome de ZUE (Zona de Utilização Especial). Lá parece ser do tipo "liberou geral": não há nenhum regulamento de uso. Nenhuma menção a altura, adensamento, tamanho dos prédios, sujeitos apenas à aprovação do COMDURB.
Outra zona, chamada ZRC (Zona Residencial Condicionada), que fica na Enseada, porém_faça-se justiça_na parte interior do bairro, admite construções de até 15 metros, ou seja cinco andares pelos padrões habituais.
Olhando mais abaixo no mapa surge uma faixa de ZM5, da Topolândia e Enseada até Canto do Mar, onde o gabarito sobe para 20 metros, o que significa prédios de 6 a 7 andares. Já no Centro surge outra ZUE (o "liberou geral"), no Topovaradouro, Topolandia e parte da zona portuária.
As jóias da coroa, na até agora preservada Costa Sul, tampouco são poupadas. No Guaecá, área nobre, em frente ao posto da Policia Rodoviária, um primeiro susto: foi desenhada uma faixa ao longo da rodovia tida como Comercial com lotes até 600 m2. e altura de 9 metros. Mas o absurdo não pára por aí: na área de restinga, várzea do Rio Guaecá, instável e sensível, mais baixa que a faixa de praia e com vegetação a ser preservada, o novo zoneamento autoriza prédios de até 15 metros de altura, lotes de 600 m2. com taxa de ocupação de 50%. Será o fim do ecosistema do Guaecá.
Prossigamos com os absurdos. Em Juquehy, o bairro inteiro é designado como área residencial e comercial. Na totalidade dos bairros de Maresias e Boiçucanga, outras praias de alto valor, os lotes são reduzidos de 400 para 300 m2. e altura de 9 metros, com um agravante: antes era permitida uma residência por lote.
Agora são permitidas 2 ou 3, quantas derem desde que atendidos os demais requisitos. Exemplo, antes num lote de 400 m2. era permitida uma casa. Agora serão três, digamos.
Essa licença maior de construção em áreas menores talvez fosse boa em locais menos caros e valorizados, mais centrais, porque aí significaria maior oferta de residencia para pessoas da cidade, trabalhadores e moradores. Mas, em se tratando de praias turísticas, qual é o sentido?
Em vez de construir pousadas e hoteizinhos para a classe média paulistana, que vão empregar mão de obra local nos diversos serviços da industria do turismo, a conseqüência será a multiplicação das casas secundárias de veraneio de padrão e custo médios, objetos de desejo e muitas vezes de "standing", porém fechadas a maior parte do ano e que não dão emprego a ninguém a não ser a caseiros. É uma política que vai na contra-mão da tão propalada multiplicação de empregos para a gente da região: o turista dá muito mais emprego do que o veranista.
Em suma, estamos diante de um projeto altamente discutível e que vai levantar muitos protestos. É mais radical na verticalização e adensamento urbano dos que as próprias ZEIS. Ao ponto de concluirmos que a opinião pública, afinal, tinha razão quando suspeitava que a alegada preocupação social das ZEIS era uma simples máscara para o verdadeiro interesse: o dinheiro e a especulação imobiliária.
David Lerer é médico e ex-deputado federal
Vereador questiona
valores
pagos pelo Instituto Uniemp
São
Sebastião - O vereador Arthur Ballut está
questionando ao Poder Executivo, por meio de requerimento,
os valores pagos pelo Instituto Uniemp (Universidade Empresa)
em relação a alguns serviços realizados
em duas escolas municipais de São Sebastião,
a EMEI Peteleco e a EM da Enseada.
O assunto foi debatido em sessão ordinária
realizada na última terça-feira, 11, após
o parlamentar ter tido acesso a algumas planilhas de custo
que são desenvolvidas no ‘Projeto Aquarela’.
Segundo Ballut, os documentos revelam números assustadores.
“Não sabemos se isso é verdadeiro ou
não. É preciso checar”, frisa.
Na unidade do bairro da Enseada, por exemplo, a troca de
uma campainha e a mão-de-obra custou cerca de R$620,00.
Já na Peteleco o total pago foi de R$752,96, sendo
R$8,50 para substituir dois interruptores de tomada. O serviço
foi executado em oito horas por dois assistentes, um auxiliar
e um engenheiro, sendo que este último profissional
recebeu a quantia de pouco mais de R$520,00.
Diante da situação, o parlamentar requer informações
sobre todos os serviços prestados nas referidas unidades
escolares apenas no mês de setembro de 2.005; os valores
pagos por cada atividade, separados por ordens de serviço;
além das cópias das ordens com os vistos dos
responsáveis pelas escolas em questão.
O ‘Projeto Aquarela’ foi implantado na cidade
em junho do ano passado pelo valor aproximado de R$ 7 milhões,
parcelado em 10 parcelas. O caso vem sendo, inclusive, alvo
de investigação por parte do Ministério
Público.
“Com certeza a planilha é verdadeira porque
não teria outro jeito para justificar o contrato
com o Aquarela, de R$ 7 milhões. Teria que ser no
preço da mão-de-obra porque a compra de materiais
necessita de nota fiscal”, avalia o vereador José
Cardim de Souza.
A vereadora Solange Rodrigues de Araújo Ramos, que
votou favorável ao requerimento, no entanto, culpa
o vice-prefeito Paulo Henrique Santana pela contratação
do projeto Aquarela. Ela declarou ainda que tem ido às
escolas e verificado que os serviços têm sido
realizados com mais agilidade. “Antes demorava um
mês, uma semana, e hoje é muito rápido”,
conclui.
O presidente da Casa, Wagner Teixeira, e o vereador Marcos
Leopoldino contestaram a declaração de que
o vice-prefeito seja o culpado. “Não acho que
o PH seja o culpado porque o prefeito é o responsável”,
disse Leopoldino.
Para ele, o vice prefeito deveria ser convidado a comparecer
na Câmara para esclarecer o contrato do projeto Aquarela.
“Eu tenho cópia do contrato e o PH assinou
como testemunha. O responsável foi o prefeito. Agora
se tem culpado, não sabemos porque ninguém
foi julgado ainda”, completou Teixeira.
Fonte: Câmara
Municipal de São Sebastião
Campanha quer proteger
vegetação
que cresce na praia
Prefeitura de Ubatuba, no litoral paulista,
vai colocar placas informativas da importância ecológica
do jundu.
João Carlos
Faria
As pequenas plantas que crescem na areia das praias do litoral
brasileiro, conhecidas popularmente como jundu, estão
sendo alvo de uma campanha de conscientização
proposta pela prefeitura de Ubatuba, no litoral norte paulista.
Um primeiro lote de cinco placas está sendo confeccionado
para ser colocado na praia do Itaguá, região
central da cidade. O objetivo é chamar a atenção
dos turistas e da população para a necessidade
de se preservar e proteger essas plantas, típicas
da mata atlântica.
"Pretendemos colocar as placas nos
próximos dias e esperamos que haja uma boa repercussão
imediata junto à comunidade e turistas", afirma
o coordenador local de Planejamento e Proteção
Ambiental, Alexandre Nardy.
Segundo Nardy, além da necessidade
de alertar a população para a importância
da vegetação no ecossistema costeiro, a prefeitura
também quer chamar a atenção para a
existência de uma legislação que protege
esse tipo de planta e a importância de ela ser cumprida.
A bióloga Daniela Kuntz, da ONG
Mar Vivo, considera a iniciativa da prefeitura muito importante.
Mas ela acredita que a idéia deveria abranger também
as praias onde o jundu ainda está preservado. "As
pessoas precisam ser informadas de que não se trata
de um mato qualquer, mas de um elemento importante, inclusive
para estabilizar a areia." O jundu detém as
ressacas e evita erosão.
De acordo com Nardy, as placas vão
apresentar mensagens alertando para a importância
biológica da vegetação, sua utilização
como alimento e abrigo de fauna e a necessidade de preservá-la
para garantir o equilíbrio ambiental.
O jundu, também conhecido como escrube,
tem uma função importante no bioma do qual
faz parte a mata atlântica. Um de seus papéis
é proporcionar matéria orgânica que,
depois de ser reciclada, permite o surgimento de uma vegetação
de maior porte, formadora da mata de restinga.
Fonte: Jornal
O Estado de São Paulo
CONTER AS FAVELAS
David Lerer
“Não há nada
de novo sob a face do sol”
(Salomão, Ketuvim, Velho Testamento)